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Gengibre [1]

Enviado por Sergio Sigrist em seg, 03/12/2012 - 10:38am
Nome científico: 
Zingiber officinale Roscoe
Família: 
Zinziberaceae
Sinonímia popular: 
Gengibre-de-jamaica, gengibre-africano, gengibre-de-cochim, mangarataia e marangatiá.
Sinonímia científica: 
Amomum zingiber L.
Partes usadas: 
Rizoma (raiz).
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Amido (40%), lipídios, resinas, 1 a 3% de óleos voláteis, aminoácidos, proteína, vitaminas, minerais, terpeno, gorduras, princípios amargos, ácidos orgânicos, mucilagem.
Propriedade terapêutica: 
Estimulante gastrointestinal, aperiente, carminativo, tônico, expectorante, antiemético, antidispéptico.
Indicação terapêutica: 
Gases intestinais, vômito, rouquidão, traumatismo, reumatismo, rinite, faringite, laringite, redução do colesterol, alergia respiratória, diabetes, asma, bronquite, amigdalite, tosse.
tags: 
Alergia [2]
Asma [3]
Bronquite [4]
Dor de garganta - amigdalite - faringite - laringite [5]
Diabetes [6]
Gás no trato digestivo - arroto - flatulência - pum - peido [7]
Rouquidão [8]
Traumatismo [9]
Reumatismo - artrite - artrose - dor articular [10]
Tosse - coqueluche [11]
Colesterol [12]

Planta da Farmacopeia Brasileira
Gengibre tem uso científico comprovado como antiemético, antidispéptico, expectorante e nos casos de cinetose (sensação de enjoo em carro, avião, barco, etc.).

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: ginger, common ginger
  • Alemão: ingwer
  • Italiano: gengero, gengioro, zenzavero, zenvero, zinzero
  • Francês: gingembre, herbe au gingebre
  • Espanhol: agengibre
  • China: sheng jian/gan jiang
  • Índia: singabera ou ardhrakam (onde é bastante usado e estudado)
  • Japonês: kankyo, shokyo.

Uso popular e medicinal
É conhecido na China desde o século XIV. Gregos e romanos já o usavam como especiaria.

Hoje é popularmente usado como estomáquico (digestivo), carminativo e para náuseas, vômitos (antiemético), artrite, sintomas do aparelho respiratório como rinite, faringite, laringite, tosses, irritações das cordas vocais e alergias respiratórias, na redução do colesterol, para aumentar a imunidade celular e externamente para estimular a circulação, reduzir dores e rigidez muscular.

Também é usado como antisséptico e anti-inflamatório.

Há um outro gengibre, Asarum canadense L (Aristolochiaceae), tido como gengibre selvagem usado pelos indígenas do norte dos EUA e Canadá.

É produto de exportação do Brasil, Estados do Paraná (Morretes, principalmente) e Santa Catarina, para EUA, Canadá e Japão.

Na fitoterapia é padronizado internacionalmente como antiemético, carminativo e aromático, portanto tem comprovação científica para estes usos e há ainda trabalhos mostrando utilidade na diabete, na redução de plaquetas e de prostaglandinas, como cardiotônico e em patologias respiratórias.

Tem poucos efeitos colaterais e a toxicidade de seu óleo é bastante baixa. Como alimento tem 61 calorias em cada 100 g.

É o melhor medicamento para náuseas e vômitos, principalmente pós-operatório e os causados por viagens (as marítimas, por exemplo), como provado por estudiosos em 1987 e 1990 no Hospital São Bartolomeu de Londres.

O Dr. Daniel Mowrer (em Utah, EUA) revelou que esta droga é melhor que o “dramamine”, conceituada mundialmente como antiemética de primeira.

Em 2000 o British Journal of Anaesthesia, em seu volume 84 (3), das páginas 367 a 371, publicou trabalho comprovando nos EUA este efeito por E. Ernst e M. H. Pitler.

Há muitos trabalhos internacionais publicados de 1998 para cá comprovando as ações desta planta.

Em 1990 W. Rasmussen Fischer estudou seu efeito em grávidas e fez com que o European American Phytomedicines Coalition pleiteasse perante o FDA a sua inclusão como droga antinauseante.

Tem efeito antiplaquetário - vide abaixo - portanto pode facilitar sangramentos, o que faz com que cuidemos mais quando a indicamos para gestante, apesar do trabalho do pesquisador.

Em 1992 J. Sertie mostrou seu efeito antiácido e Yamahara, Kasahara, Sakai e Yoshikawa mostraram ser o gengibre um bom cicatrizante de úlceras pépticas.

Inibição da agregação das plaquetas e da formação de prostaglandinas foram comprovadas por Srivastava, Mustafá, Verma, Lumb, todos na década passada.

Foi comprovado por Srivastava (em 1992) como anti-inflamatório e antipirético em animais.

Está na Farmacopeia da Áustria, EUA, Grã-Bretanha, China, Egito, Japão, Índia e Suíça, o que é sinal de comprovação científica de seus atributos.

Há mais de 200 trabalhos científicos registrados sobre gengibre.

Na Índia (terra do pesquisador acima citado) e no mundo todo é tido como planta quente, pois acumula o fogo que consegue com a fotossíntese e segundo eles é o princípio do metabolismo e da transformação. Assim ela gera energia em nosso corpo. É o que parece adquirirmos quando tomamos um quentão numa noite fria.

Efeitos adversos
Deve-se ter cautela com receitas ou fórmulas que incentivam a automedicação. Como medicamento, deve ser tomado com orientação médica. Embora seja uma planta segura, tem efeitos adversos. Calculosos biliares, gestantes e as pessoas com sangramentos, mulheres com menstruação excessiva, devem eximir-se dele, pois há trabalhos científicos comprovando sua ação antiplaquetária.

São encontrados em casas especializadas cristais de gengibre com própolis, com canela, com hortelã etc., para tentar disfarçar seu picantismo. Ou o caseiro decocto com álcool como no quentão.

 Dosagem indicada 

Antiemético, antidispéptico, expectorante e casos de cinetose (tintura). Componentes: rizomas secos (20 g); álcool 70 % p/p q.s.p. (100 mL). Orientações para o preparo: estabilizar o material vegetal submetendo à secagem em estufa a 40o C por 48 h e extrair por percolação conforme descrito na monografia. Uso interno: tomar 50 gotas da tintura diluídos em 75 mL, 1 a 3 vezes ao dia. Advertência: não usar em gestantes, lactantes, crianças menores de dois anos, alcoolistas e diabéticos. Não usar em caso de tratamento com anticoagulantes. É contraindicado para pessoas com cálculos biliares, gastrite e hipertensão arterial. Nota: ao invés da tintura, pode-se preparar um infuso para os mesmos fins, com 0,5 a 1 g de rizoma fresco e água q.s.p. 150 mL. Uso interno: acima de 12 anos tomar 150 mL do infuso, 5 min. após o preparo, 2 a 4 vezes ao dia [4].

Náusea de gestante. Receita-se o gengibre para náuseas de gestantes com sucesso quase total, na dosagem de um gramo de rizoma em pó por decocção, três vezes ao dia. Pode-se conseguir tintura - dois ou três mL em copo com água, duas ou três vezes ao dia. Se aparece indigestão ou azia, o seu uso deve ser diminuído. Misturá-lo com alcaçuz ou camomila pode ajudar.

Como estomáquico. Meia a uma colher de chá mais uma colher de chá de mel ou uma colher de chá de pó em uma xícara de leite, duas a três vezes ao dia.

Cefaleia. 500 mL de gengibre seco ao dia.

Nos EUA é costume para usos gerais: 300 a 500 mg de raiz fresca em decocção, 3 vezes ao dia (outros só 1 g/dia), ou decocto de raiz seca (500 mg) de 2 a 4 vezes ao dia.

Há tabletes de 500 mg. Usa-se um tablete, 2 ou 3 vezes /dia. Se líquido (extrato), 0,7 a dois mL por dia de uma padronização 1:2, ou 1,7 a 5 mL ao dia de tintura (fraca) a 1:5. No Brasil usa-se com 90% de etanol de 1,5 a 3 mL - tintura forte ou tintura fraca – 1:2, com os mesmos 90% de etanol mas em 0,25 a 0,5 mL.

Resfriados. Associar hortelã ou cravo-da-índia.

Laringite. É costume misturar gengibre ralado, mel e limão ao chá de camomila.

Estimular a circulação local, reduzir dores e rigidez muscular. Uso externo (banho de infusão, chá). Há um produto americano denominado Awapuhi (em spray) para hidratar cabelos e pele, anunciado como tendo gengibre havaiano.

Para crianças, o dr. Room após estudos realizados em 2000, sugere chá de raiz de gengibre: 1/4 a 1 xícara várias vezes ao dia ou 5 a 25 drops de tintura em água, sempre que preciso.

Como aperitivo e digestivo. 0,30 g de raiz em pó, adicionada a 0,30 g de bicarbonato de sódio. Toma-se 1/2 h antes do almoço, é excelente.

Reumatismo, artrite, entorses, dor muscular. Coloque em um pilão 2 colheres de sopa de rizoma picado, amasse bem e adicione uma xícara de chá de álcool de cereais a 90%. Deixe macerar por 5 dias, coe e guarde em frasco escuro. Tome 1 colher de café, diluído em um pouco de água, 2 vezes ao dia.

Asma, bronquite, amigdalite, rouquidão, tosse. Coloque em 1 xícara, 1 colher de sopa de rizoma fatiado e adicione água fervente. Abafe por 10 m, coe; acrescente 2 xícaras de café de açúcar mascavo e o suco de 1 limão. Misture bem até dissolver o açúcar. Tome 1 colher de sopa, 3 vezes ao dia. Crianças: 1 colher de sobremesa, também 3 vezes ao dia.

Uma receita bem caseira: derreta um pouco de açúcar mascavo juntamente com gengibre e canela. Coloque 2 xícaras (chá) de água e deixe ferver por 5 m em fogo médio. Coloque 3 folhas picadas de guaco, tape o vasilhame e ferva mais 3 m. Acrescente um punhado de poejo e manjericão picados e desligue o fogo, tampando o vaso em seguida. Após descanso de 5 m, coe e beba 1 colher de sobremesa 3 vezes ao dia.

Cólica, gases. Coloque 1 colher (sobremesa) de rizoma fatiado em 1 chávena (xícara de chá) e adicione água fervente. Abafar por 5 m e coar. Tomar 1 xícara de chá nas principais refeições.

Vômito. Pulverizar o rizoma e ingerir. Decocção: preparar com 1 colher (chá) de raiz triturada em 1 xícara (chá) de água. Tomar 4 xícaras (chá) ao dia.

Reumatismo, traumatismo na coluna vertebral e articulações. Cataplasma: preparar com gengibre bem moído ou ralado e amassado num pano, e deixar no local.

Rouquidão. Rizoma fresco: mascar um pedaço.

Reumatismo. Tintura: 100 g do rizoma moído em 0,5 l de álcool, fazer fricções. 

 Culinária

Cordeiro com gengibre, comida gostosa, embora um pouco picante, da cozinha libanesa.

  • 3 kg de cordeiro sem ossos
  • 2  colheres (chá) de sal
  • 50 g de pimenta síria (ou pimenta-do-reino)
  • 100 g de gengibre fresco ralado
  • 300 mL de azeite
  • 500 g de damasco seco
  • 500 g de arroz branco. E bom apetite.

Frango com gengibre (frango agridoce para duas pessoas), comum na Índia, onde o gengibre integra a fórmula do "curry".

  • 2 coxas
  • 1 colher (chá) de gengibre seco ralado
  • 1 dente de alho amassado
  • 2 colheres (sopa) de mel com um pouco de casca de laranja
  • 2 colheres de sopa de vinagre, salgados a gosto

 Colaboração

  • Sérgio Antonio Barraca, estudante de graduação da ESALQ/USP, Piracicaba (SP), 1999.
  • Luis Carlos Leme Franco, médico e professor de Fitoterapia, Curitiba (PR), 2003. Memória.

 Referências

  1. ESALQ/USP (1999): Manejo e Produção de Plantas Medicinais e Aromáticas [13] - Acesso em 22 de novembro de 2015
  2. ESALQ/USP (1999): Cultivo de Horta Medicinal [14] - Acesso em 22 de novembro de 2015
  3. FRANCO, L. C. L.; LEITE, R. C. Fitoterapia para a mulher. Corpomente, Curitiba (PR). 2004.
  4. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 1ª ed. 2011.
  5. The Plant List: Zinziber officinale [15] - Acesso em 22 de novembro de 2015

​GOOGLE IMAGES de Zingiber officinale [16] - Acesso em 22 de novembro de 2015

 

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