Bulbo-venenoso-africano

Nome científico: 
Boophone disticha Herb.
Família: 
Amaryllidaceae
Sinonímia científica: 
Amaryllis disticha, Haemanthus toxicarius
Partes usadas: 
Bulbo
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Alcaloides (crinano, lycorina), composto aromático eugenol.
Propriedade terapêutica: 
Antioxidante, potencial anticâncer
Indicação terapêutica: 
Tratamento de feridas, queimaduras, úlceras, dores, uso dermocosmético, inflamação.

Origem, distribuição
Planta bulbosa nativa das savanas e áreas abertas da África subsaariana, ocorrendo desde o Sudão até a África do Sul, em pastagens e matagais secos.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: bushman’s poison bulb, poison bulb
  • Africâner: gifbol (“bulbo venenoso”)

 

Boophone disticha não é uma planta conhecida popularmente no Brasil. Ela não ocorre naturalmente aqui e raramente aparece em cultivo, o que impede a fixação de um nome vernacular brasileiro. Quando citada em textos acadêmicos, coleções botânicas ou divulgação científica, costuma aparecer como Boófone (aportuguesamento do gênero Boophone) ou Boophone disticha (mantido apenas o nome científico)

Em geral, não há nome popular brasileiro oficial ou amplamente usado.

Descrição

Boophone disticha é um geófito herbáceo perene com um bulbo grande, parcialmente exposto ao solo, de onde surgem folhas verdes dispostas em leque depois da floração.

Na primavera a planta produz uma única inflorescência esférica com dezenas de flores rosa ou vermelhas com perfume doce, antes das folhas crescerem.

Ao amadurecer, o fruto da planta forma uma estrutura que se solta e rola pelo vento espalhando sementes, daí o apelido em inglês “tumbleweed”. Alguns povos africanos usavam a planta também em rituais para induzir estados alterados de consciência devido aos efeitos psicotrópicos dos alcaloides.

O nome "boophone" deriva do grego bous (“boi”) + phone (“morte”), refletindo a toxicidade da planta observada historicamente pelos povos africanos.

Uso popular e medicinal

O bulbo contém diversos alcaloides e compostos bioativos destacando-se:

  • Alcaloides do tipo crinano e lycorina, com atividades farmacológicas conhecidas em outras espécies de Amaryllidaceae.
  • Composto aromático eugenol, cheiro característico de cravo, com ação analgésica.

Esses compostos podem ter efeitos analgésicos e até psicotrópicos, mas também são altamente tóxicos em doses elevadas. Em casos de ingestão excessiva ocorrem agitação, alucinações, estupor, coma e até morte.

Boophone disticha foi (e ainda é) tradicionalmente utilizada para envenenar pontas de flechas, comprovando seu uso como potente tóxico.

Além do efeito neurotóxico e citotóxico, extratos da planta mostram potencial para interferir em vias neuronais e causar efeitos severos em órgãos como fígado e sistema nervoso em modelos animais.

Apesar de venenosa, a planta possui uso tradicional em medicina popular africana, em doses controladas e aplicações externas ou rituais:

  • Tratamento de feridas, queimaduras, úlceras e dores.
  • Estudos etnobotânicos recentes mostram que extratos brutos exibem compostos com atividade antioxidante e potencial anticâncer em testes laboratoriais.
  • Usos dermocosméticos e contra inflamação também são relatados em fontes etnobotânicas atuais.

A maior parte dos usos medicinais é tradicional ou pré-clínica, ainda não há evidência clínica robusta que respalde aplicações terapêuticas seguras em humanos sem risco. Estudos clínicos são necessários para validar a eficácia e doses seguras antes de qualquer uso medicinal concreto.

 Referências

  1. OBM Integrative and Complementary Medicine (2025). A Review on the Ethnomedicinal Plants Used in Zimbabwe for the Treatment and Management of Skin Conditions: Perspectives on Pharmacological and Toxicological Evaluation
  2. Tonisi et al. (2020). Evaluation of bioactive compounds, free radical scavenging and anticancer activities of bulb extracts of Boophone disticha from Eastern Cape Province, South Africa
  3. Plants of the World Online (Kew). Boophone disticha
  4. World Flora Online (2026). Boophone disticha - Acesso em 2 de fevereiro de 2026
  5. Image (no changes were made): JMK, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

GOOGLE IMAGES de Boophone disticha