Uma planta pode ser medicinal e venenosa ao mesmo tempo?

 

É correto dizer que uma mesma planta pode ser ao mesmo tempo medicinal e venenosa?

Sim, é correto e isso não é contradição nenhuma. A chave está nos princípios ativos, na parte da planta e na dose.

Muitas plantas produzem diferentes princípios ativos, que podem estar concentrados em partes distintas da mesma planta como raízes, bulbos, folhas, flores ou sementes. Esses compostos existem como estratégias naturais de defesa, mas alguns deles, em doses controladas, apresentam efeitos terapêuticos. Em doses maiores — ou quando a parte errada da planta é utilizada — os mesmos compostos podem causar toxicidade ou envenenamento.

Por isso uma planta pode conter substâncias medicinais e tóxicas simultaneamente, ou até o mesmo princípio ativo pode ser benéfico em pequenas quantidades e perigoso em excesso. Esse conceito é conhecido na toxicologia como “a dose faz o veneno”, ideia formulada por Paracelso no século XVI.

Plantas como Boophone disticha ilustram bem esse fenômeno: o bulbo concentra alcaloides altamente tóxicos, enquanto usos tradicionais controlados exploram propriedades analgésicas e anti-inflamatórias — sempre com alto risco quando não há conhecimento técnico.

Conclusão: não é a planta em si que é “boa” ou “má”, mas qual parte é usada, como é preparada e em que dose.