Capim-amargoso

Nome científico: 
Digitaria insularis (L.) Mez ex Ekman
Família: 
Poaceae
Sinonímia científica: 
Agrostis villosa, Rhynchospora fabri, Schoenus fabri, Saccharum polystachyum
Partes usadas: 
Folha
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Terpenoides, esteroides, saponinas, flavonoides, compostos fenólicos, taninos, flavonas, ácidos graxos, esteres de cadeia longa,
Propriedade terapêutica: 
Antibiótica, cicatrizante, analgésica, anti-helmíntica, acaricida, antibacteriana.
Indicação terapêutica: 
Bronquite, gonorreia, feridas, reumatismo, cefaleia, dores estomacais.

Origem, distribuição

Digitaria insularis é originária das regiões tropicais e subtropicais das Américas. Mais especificamente, seu registro abrange desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina e através da América Central.

Na América ocorre no sul dos EUA, Caribe, América Central e América do Sul, em várias regiões do Brasil, onde se torna planta daninha de importância agrícola. Modelos climáticos indicam que ela se estabelece bem em climas tropicais e subtropicais, com alta adequação climática no Brasil.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: sourgrass, cotton grass, feather-top grass

  • Espanhol: zacate amargo (México), pasto bandera (Argentina)

Descrição

Planta herbácea, perene, que forma touceiras. Propaga-se por sementes e por rizomas curtos (caules subterrâneos de reserva), o que a torna bastante persistente.

Típica de ambientes tropicais e subtropicais das Américas, adaptada a solos variados, margens de estradas, áreas antropizadas, pastagens, lavouras.

Na agricultura é considerada planta daninha por sua agressividade e capacidade de competição.

Uso popular e medicinal

Há registros etnomedicinais do uso de capim-amargoso sob a forma de infusão ou xarope das espiguetas, empregada tradicionalmente no tratamento de bronquite e gonorreia.

Estudo recente avaliou o extrato aquoso das folhas da espécie e indicou que, na medicina popular, é utilizada com finalidades antibiótica, cicatrizante e analgésica, sendo mencionada para feridas, reumatismo, cefaleia e dores estomacais. Contudo, a literatura científica revisada ainda carece de padronização metodológica e não apresenta evidência clínica robusta que comprove a eficácia terapêutica desses usos tradicionais.

Pesquisas fitoquímicas revelaram a presença de compostos bioativos relevantes nas frações ativas de D. insularis:

  • Flavonas tricina (tricin) e diosmetina (diosmetin), associadas à atividade anti-helmíntica in vitro.

  • Ácidos graxos e ésteres de cadeia longa, identificados por GC-MS em frações com atividade acaricida e ação anticolinesterásica.

Revisões sobre o gênero Digitaria também reportam a ocorrência de terpenoides, esteroides, saponinas, flavonoides, compostos fenólicos e taninos, confirmando o perfil fitoquímico observado para D. insularis.

Os estudos disponíveis, majoritariamente experimentais (in vitro ou in vivo em modelos animais), descrevem os seguintes efeitos biológicos:

  • Atividade anti-helmíntica: extratos e frações de D. insularis inibiram de forma significativa a eclosão de ovos e o desenvolvimento larval de nematoides, com destaque para as frações ricas em flavonas.

  • Atividade acaricida: frações hexânicas e etil-acetato mostraram redução da oviposição e da eclosão de Rhipicephalus (Boophilus) microplus, possivelmente mediada pela inibição de colinesterases.

  • Atividade antibacteriana e citotóxica: estudos locais com extrato aquoso demonstraram baixa inibição microbiana e indícios de citotoxicidade e mutagenicidade, sugerindo a necessidade de avaliações toxicológicas adicionais antes de qualquer aplicação terapêutica.

As evidências disponíveis são predominantemente pré-clínicas, restritas a estudos laboratoriais e modelos animais, com foco em atividades biológicas específicas (anti-helmíntica, acaricida, anticolinesterásica). Até o momento não existem ensaios clínicos em humanos que avaliem a eficácia, segurança ou toxicidade de D. insularis como fitoterápico

Há comprovação fitoquímica da presença de compostos bioativos — como tricina, diosmetina, ácidos graxos, ésteres e terpenoides — e evidências experimentais de atividade farmacológica em modelos biológicos. No entanto, faltam estudos clínicos controlados que validem o uso medicinal de Digitaria insularis e definam parâmetros de segurança, dose e padronização. Assim, seu emprego terapêutico permanece no campo experimental e tradicional, não havendo respaldo científico suficiente para recomendação clínica.

 Dedicado a Marcos Lozano Dias (São Paulo, SP).

Referências

  1. Journal of Pharmacognosy and Phytochemistry (2021. Medicinal potential of Digitaria: an overview - Acesso em 31 de outubro de 2025
  2. Santos FO et al. (Vet Parasitol., 2018) In vitro acaricide and anticholinesterase activities of Digitaria insularis - Acesso em 31 de outubro de 2025
  3. Silva C. et al. (Periodicos da UFAC, 2018). Avaliação dos efeitos biológicos do extrato aquoso das folhas de Digitaria insularis - Acesso em 31 de outubro de 2025
  4. Santos FO et al. (Vet Parasitol., 2017). In vitro anthelmintic and cytotoxicity activities of Digitaria insularis - Acesso em 31 de outubro de 2025 
  5. WFO Plant List. Digitaria insularis - Acesso em 31 de outubro de 2025
  6. Image (no changes were made): Forest & Kim Starr, CC BY 3.0 US, via Wikimedia Commons

GOOGLE IMAGES de Digitaria insularis - Acesso em 31 de outubro de 2025