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Avaliação do potencial hídrico de vegetal [1]

Enviado por Sergio Sigrist em qui, 15/02/2018 - 11:42am
(*) Sergio Roberto Sigrist
 

Denomina-se potencial hídrico ao déficit de água que um vegetal está experimentando. Encontrar esse valor é importante para o produtor, que pode decidir entre irrigar ou não irrigar a sua lavoura. A Câmara de Scholander ou bomba de pressão é um dispositivo usado para calcular esse valor aproximado.

A câmara é construída em aço inoxidável, com uma tampa também em aço e travas (similar a uma panela de pressão), para que o seu interior fique hermeticamente fechado e suporte a pressão interna a qual será submetida. A tampa tem um orifício central. Esse conjunto, acondicionado em uma maleta, é acoplado a um cilindro de gás nitrogênio comprimido, manômetro para leitura com escala em Bar, mangueira flexível, válvula de regulagem de pressão do cilindro e válvula de controle do gás que flui para dentro da câmara (veja abaixo a representação detalhada). 

O procedimento para avaliar o potencial hídrico foi conduzido em laboratório. Foram selecionados ramos de vegetais de diferentes espécies e removidos da planta ao qual estavam ligados. Em seguida mergulhados em um tanque com água para evitar a perda de H2O antes de mensurar seu potencial. Cada ramo foi cortado em bisel com uma lâmina e introduzido na câmara através do orifício da tampa, com o pecíolo fixo para fora dela, trespassando uma rolha de borracha.

O conjunto foi fechado, em seguida foi liberado o gás pressurizado, aumentando lentamente a vazão até que a primeira gota exsudasse da ponta do caule que ficou para fora. A pressão dentro da câmara inverte a seiva no vaso de xilema, por isso ela sai. Nesse ponto, considera-se estabelecido o equilíbrio entre o potencial hídrico das células e a pressão exercida pelo gás sobre as mesmas. Fechou-se a válvula do gás e fez-se a leitura do valor indicado no manômetro. Esse valor é o potencial hídrico do tecido celular, é a quantidade de pressão necessária para fazer com que o líquido apareça na extremidade do pecíolo. 

Nove (9) medições foram feitas, com diferentes espécies de vegetais, resultando nos seguintes valores: 7, 22, 10, 1.5, 7.5, 14, 13, 10, 8. Comparando-se as duas primeiras medições (7 e 22), concluiu-se que a disponibilidade de água no vegetal cuja pressão foi 22 é aproximadamente 3 vezes menor do que o vegetal cuja pressão foi 7. Um valor elevado significa alta tensão, alto grau de estresse hídrico, ou seja, a planta está menos túrgida, com menos disponibilidade de água. Valor negativo (não identificado neste experimento) indica que a planta não se encontra em estresse hídrico. 

Para obter uma boa medição, é importante assegurar que todas as conexões entre cilindro, mangueira e câmara estejam livres de infiltração de ar e evitar que se quebrem os vasos de xilema ao introduzir o ramo na câmara. Aconselha-se a selecionar folhas em dois extremos, umas próximas da raíz e outras próximas da extremidade apical. Em ramos novos a disponibilidade de água é sempre maior. As áreas foliares dos ramos são diferentes. Maior área foliar implica em mais água.

(*) Elaborado durante o Curso de Capacitação em Ecofisiologia Florestal (08/08/2014 a 14/11/2014) na USP/ESALQ (Departamento de Ciências Florestais). Colaboração: Alexandre Vendemiatti, Técnico em Fisiologia Vegetal (Professor do Curso).
 
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