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Angico-branco-do-morro [1]

Enviado por Sergio Sigrist em qua, 06/07/2016 - 5:58am
Nome científico: 
Anadenanthera peregrina (L.) Speg.
Família: 
Leguminosae
Sinonímia popular: 
Angico, angico-do-morro, angico-branco, paricá-de-curtume, paricá.
Sinonímia científica: 
Mimosa acacioides Benth.
Partes usadas: 
Casca, semente, vagem.
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Taninos, saponina, 2,9-dimethyltryptoline, 2-methyltryptoline, catecol, leucoantocianina, leucopelargonidol, 5-MeO-DMT, 5-metoxi-N-metiltriptamina, bufotenina, DMT.
Indicação terapêutica: 
Asma, bronquite, febre, apoplexia.
tags: 
Asma [2]
Bronquite [3]
Febre [4]
Acidente vascular cerebral - derrame - apoplexia [5]

Origem, distribuição
Nativa da América do Sul e Caribe. No Brasil ocorre desde a região Amazônica até o Sudeste.

Nome em outros idiomas

  • Inglês: cohoba tree, vilca, calcium tree, yopo
  • Francês: bois ecorce, bois galle, oeuf de poule, yopo
  • Alemão: yopo
  • Espanhol: candelón, cojoba, yopo

Descrição [4]
Espécie pioneira comum nas matas nativas dos Estados do Paraná e São Paulo, facilmente cultivável em diversas regiões do país.

Porte de 15 a 20 m de altura, tronco curto mais ou menos cilíndrico, casca rugosa e pouco partida. Folhas compostas bipinadas, inflorescências axilares e terminais. Floresce em setembro e outubro. O fruto, não comestível, é uma vagem deiscente, rígido, coriáceo, ereto, com 6-12 sementes brilhantes, amadurecem em julho-agosto.

A. peregrina é muito parecida e difícil de ser distinguida de outra espécie conhecida por angico-branco A. colubrina [6].

Uso popular e medicinal
A árvore tem importância cultural, medicinal e histórica para muitas comunidades nativas. Existem evidências de que as sementes inaladas na forma de rapé têm sido usadas por povos indígenas da América do Sul e Caribe há milhares de anos para a cura espiritual.  

As sementes são retiradas das vargens, torradas e transformadas em um pó altamente narcótico (o rapé, conhecida como yopo), ou misturadas ao "cipó-das-almas" (Banisteriopsis caapi) para aumentar e prolongar os efeitos visionários, criando uma experiência semelhante a da ayahuasca [3].

Quando o rapé é autoinalado ou soprado fortemente para dentro da narina por outro indivíduo com auxílio de um tubo (a prática mais comum), resulta em intoxicação leve ou profunda. Costuma-se usar o rapé também internamente na forma de enema (prática antiga de clisteres e lavagens, ministrada pelo reto).

O rapé já foi usado como estimulante diário, como excitante de bebedeiras ou antes de expedições guerreiras, por caçadores para torná-los mais alerta e dar-lhes visão mais aguçada, como um profilático contra a febre, tratamento de apoplexia (perda repentina de consciência), pelos xamãs ou curandeiros para induzir transe, visões e comunicação com espíritos, ajudar na clarividência, profecia e adivinhação. A casca é utilizada no tratamento de asma e bronquite [2].

Os compostos químicos encontrados em A. peregrina são: 2,9-dimethyltryptoline, 2-methyltryptoline, catecol, leucoantocianina, leucopelargonidol (na planta), 5-methoxy-N,N-dimetiltriptamina (5-MeO-DMT), 5-metoxi-N-metiltriptamina (na casca), bufotenina (na planta e semente), bufotenina-óxido (na vagem e semente), dimetiltriptamina (DMT, na semente, vagem e casca), DMT-óxido (na vagem), metiltriptamina (na casca), orientina (flavona similar ao flavonoide), saponarentin e viterine (na folha) [3]. A casca e as folhas contêm taninos e as sementes contêm saponina. Uma beta-carbolina inibidor da monoamina-oxidase também está presente e pode potenciar os efeitos alucinógenos das triptaminas [2].

Uma avaliação dos teores de compostos fenólicos nas cascas de A. peregina ressalta que taninos são empregados na medicina tradicional como remédios para o tratamento de diarreia, hipertensão arterial, reumatismo, hemorragias, feridas, queimaduras, problemas estomacais (azia, náusea, gastrite e úlcera gástrica), problemas renais e do sistema urinário e processos inflamatórios em geral.

Acredita-se que as atividades farmacológicas dos taninos sejam devidas a complexação com íons metálicos (ferro, manganês, vanádio, cobre, aluminio, cálcio), atividade antioxidante e sequestradora de radicais livres e habilidade de complexar com macromoléculas tais como proteínas e polissacarideos [1]. 

Outros usos [1,4,5]
É planta melífera e com potencial uso em arborização urbana e paisagismo. Devido ao alto teor de tanino (15 a 20%) da casca, é largamente utilizada no curtimento de couros, na indústria alimenticia, farmacêutica, em purificação de águas residuais e na confecção de adesivos para madeira.

Como fixadora de nitrogênio, esta planta contribui para a melhoria do solo.

 Referências

  1. Universidade Federal de Lavras (2012): Avaliação de teores de compostos fenólicos nas cascas de Anadenanthera peregrina [7] - Acesso em 3 de julho de 2016
  2. Useful Tropical Plants: Anadenanthera peregrina [8] - Acesso em 3 de julho de 2016
  3. ZipcodeZoo (The Free Nature Encyclopedia): Anadenanthera peregrina [9] - Acesso em 3 de julho de 2016
  4. Instituto Brasileiro de Florestas (IBF): Angico-branco-do-morro [10] - Acesso em 3 de julho de 2016
  5. Tree-Nation: Anadenanthera peregrina [11] - Acesso em 3 de julho de 2016
  6. Imagem: The Free Nature Encyclopedia [12] - IBF [10] - Acesso em 3 de julho de 2016
  7. The Plant List: Anadenanthera peregrina [13] - Acesso em 3 de julho de 2016

GOOGLE IMAGES de Anadenanthera peregrina [14] - Acesso em 3 de julho de 2016

 

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