Angélica-chinesa, dong quai

Nome científico: 
Angelica sinensis (Oliv.) Diels
Família: 
Apiaceae
Sinonímia científica: 
Angelica polymorpha var. sinensis Oliv.
Partes usadas: 
Raiz
Constituintes (princípios ativos, nutrientes, etc.): 
Polissacarídeos, ácido ferúlico, Z-ligustilida, n-butilidenoftalida, óleo volátil, carboidratos, ácidos orgânicos (nicotínico, succínico, vanílico), fitosteróis, vitaminas (A, B7, B12, C, E).
Propriedade terapêutica: 
Hematopoiese, imunomodulação, antitumoral, antioxidante, radioprotetora, antidiabética, anti-inflamatória, anticoagulante, antiespasmódica.
Indicação terapêutica: 
Distúrbios menstruais (amenorreia, dismenorreia, menorragia), ação laxante, reumatismo, anemia, choque endotóxico, alívio de sintomas da menopausa (ondas de calor, rubor, sudorese).

Origem, distribuição
É uma erva aromática e perene nativa da China, Japão e Coreia.

Nomes em outros idiomas

  • Inglês: Chinese Angelica, danggui
  • Chinês: Danggui, Dang-gui
  • Japonês: Toki
  • Coreano: Tanggwi
  • Dinamarquês: Kinesisk Kvan

Descrição

Angelica sinensis é uma planta herbácea perene da família Apiaceae (a mesma do aipo e da cenoura). Cresce geralmente entre 0,6 e 1 metro de altura. Possui um caule ereto, oco e sulcado, com coloração que pode variar do verde ao arroxeado.

As folhas são grandes, alternadas, divididas em vários segmentos (folhas compostas), com bordas serrilhadas. Quando esmagadas exalam um aroma característico .

As flores são pequenas, branco-esverdeadas ou amarelo-claras, reunidas em inflorescências de tipo umbela. Cada umbela se abre em forma de guarda-chuva, reunindo diversas flores.

Os frutos são secos, achatados e com pequenas asas laterais.

A raiz, parte mais utilizada, é espessa, ramificada, aromática e de coloração marrom-amarelada a castanha, com interior mais claro e textura fibrosa.

A espécie prefere climas frios ou temperados, solo úmido e bem drenado, e é tipicamente cultivada em regiões montanhosas do noroeste da China.

Angelica sinensis foi registrada pela primeira vez no Shennong Bencao Jing, clássico chinês de agricultura e plantas medicinais datado de 200–300 d.C. Hoje é amplamente comercializada como alimento voltado ao público feminino na Ásia e como suplemento dietético na Europa e nas Américas. Na Medicina Tradicional Chinesa, diferentes partes da raiz possuem funções específicas: a porção superior ("cabeça") é usada para nutrir o sangue, a extremidade ("cauda") para ativar a circulação e a parte intermediária ("corpo") para tonificar e revitalizar o sangue. Espécies relacionadas, como A. gigas, apresentam maior teor de furanocumarinas e por isso podem oferecer maior risco, enquanto A. sinensis possui níveis mais baixos desses compostos.

Uso popular e medicinal
A raiz de Angelica sinensis, oficialmente registrada como Angelicae Sinensis Radix (ASR) na Farmacopeia Chinesa, é utilizada há milênios na Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Atribui-se a ela a capacidade de tonificar os meridianos do coração, pulmão e fígado, além de auxiliar na lubrificação dos intestinos.

Descreve-se que suas funções incluem nutrir e revitalizar o sangue, aliviar a dor e promover o peristaltismo intestinal. A dose diária mencionada em textos clássicos para a raiz seca costuma situar-se entre 3 e 15 g em decocção.

A erva é considerada um tônico na MTC e, em pesquisas modernas, tem sido estudada por potenciais efeitos relacionados à hematopoiese e à modulação de processos inflamatórios. Entre seus constituintes mais conhecidos estão polissacarídeos, ácido ferúlico (FA) e ftalídeos, como a Z-ligustilida (Z-LIG) e o butilidenoftalídeo.

Bastante valorizada no manejo de questões ginecológicas como irregularidades menstruais e dismenorreia, a planta também tem sido investigada em estudos contemporâneos. Esses estudos apontam que os polissacarídeos podem contribuir para a recuperação de células sanguíneas e plaquetas, além de exercerem efeitos imunomoduladores e citotóxicos em modelos celulares.

A Z-ligustilida, componente lipofílico predominante, tem sido explorada por seus efeitos anti-inflamatórios - muitas vezes associados à inibição da via NF-κB - e por possíveis propriedades neuroprotetoras. O ácido ferúlico, por sua vez, apresenta atividades antioxidantes e anti-inflamatórias. Em conjunto, extratos da planta têm sido analisados por potenciais ações hipoglicêmicas, vasodilatadoras, antiagregantes plaquetárias, hepatoprotetoras e radioprotetoras.

Recomenda-se cautela no uso da planta em gestantes, em casos de fluxo menstrual excessivo ou em indivíduos com diarreia ou distensão abdominal.

 Dosagem indicada

Dong Quai pode ser usada desidratada ou em pó, em chás, tinturas e suplementos. 

  • Chá: ferver 3g de raiz em 200 mL de água por 10 minutos
  • Tintura: diluir de 28 a 56 gotas em 100 mL de água
  • Suplementos em cápsulas: dosagem de 75 mg e 500 mg com ingestão variável e recomendada

 Cuidado

Contraindicado a gestantes, mulheres com excesso de fluxo menstrual, em casos de diarreia ou inchaço abdominal. 
 

 Colaboração

Ellen Grous, graduanda em Engenharia Agronômica (USP/ESALQ), 2025.

 Referências

  1. CHAO, W.; LIN, B. Bioactivities of major constituents isolated from Angelica sinensis (Danggui). Chinese Medicine (2011) - Acesso em 22 de novembro de 2025
  2. FANG, L. et al. Recent Advance in Studies on Angelica sinensis. Chinese Herbal Medicines (2012) - Acesso em 22 de novembro de 2025
  3. JIN, M. et al. Isolation, structure and bioactivities of the polysaccharides from Angelica sinensis: a review. Carbohydrate Polymers (China, 2012) - Acesso em 22 de novembro de 2025
  4. Tua Saúde (2022). Dong quai (angélica-chinesa): o que é, para que serve e como usar - Acesso em 22 de novembro de 2025
  5. World Flora Online Plant List: Angelica sinensis - Acesso em 22 de novembro de 2025
  6. Image© α Sco 

GOOGLE IMAGES de Angélica-chinesa