Molhar ou irrigar?

(*) Alexandre Vendemiatti

É comum haver o mesmo entendimento para molhar (regar) ou irrigar as plantas. Posso afirmar que existe muita diferença, caso contrário, o ato de molhar (regar) não evoluiria para uma disciplina de curso profissionalizante, de nível superior e de pós-graduação em Irrigação e Drenagem.

​Veja que não me refiro tão somente a "irrigar", mas também a "drenar".

Não basta colocar água é necessário que, após percolar, essa água encontre uma saída. Esse ato conjunto é aparentemente óbvio para os leigos, contudo as propriedades físicas e químicas da água unidas ao solo que está servindo de substrato para as raízes, são objeto de muito estudo. Inúmeras variáveis determinam uma série de eventos na própria fonte de água, no solo e principalmente na planta. É vasto o universo botânico. Algumas plantas, como por exemplo certas bromélias, possuem um reservatório de água e por isso são chamadas bromélias-tanque. 

Orquídeas não precisam de água na forma líquida mas na forma de micro-gotas (nebulização) ou vapor (umidade relativa alta). O que define se uma planta vai ou não crescer, florir e frutificar é um conjunto de fatores em que a água está sempre presente. Os problemas começam quando a necessidade de água da planta passa a ser um "estudo de caso". 

Depositar água em um pequeno vaso com uma caneca é um ato simples e até nostálgico, mas pode se tornar complexo. A água disponível pode estar longe ou em níveis exagerados de sais! Como saber se aquele substrato está em "capacidade de campo"? Como calcular a dose certa de água para cada planta? E o que dizer dos sistemas automatizados de irrigação, tanto comerciais quanto os domésticos? Pois é, existem sistemas automáticos de baixo custo que podem ser aplicados em casa, na irrigação das plantas em vasos, nos quintais, jardins e jardins de inverno.

O atual momento é muito importante quanto a utilização dos recursos naturais de uma forma inteligente. Nessa mão, podemos colocar a captação da água de chuva. Mas e depois que for captada, como utilizar da melhor forma nas plantas? O fato é que, embora caminhemos a passos de formiga, o rumo está certo. Mais do que ser inteligente em ter uma ideia, é aplicá-la.

(*) Especialista em Fisiologia Vegetal (USP/ESALQ), proprietário da empresa Plantar Sempre